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quinta-feira, janeiro 11, 2007

Mito 

Diego Corneta

Dos dez verbetes sobre a palavra “mito” que existem no Dicionário Aurélio, ressalto três:

3. Representação de fatos ou personagens reais, exagerada pela imaginação popular, pela tradição, etc.
4. Pessoa ou fato assim representado ou concebido: [Sinônimo (relativo à pessoa), nesta acepção: monstro sagrado (q. v.).]
9. Antrop. Narrativa de significação simbólica, transmitida de geração em geração e considerada verdadeira ou autêntica dentro de um grupo, tendo geralmente a forma de um relato sobre a origem de determinado fenômeno, instituição, etc., e pelo qual se formula uma explicação da ordem natural e social e de aspectos da condição humana.

Os três servem para ilustrar a pessoa em questão nesse texto. Nascido em 02 de abril de 1927 e falecido em 17 de novembro do ano passado, Ferenc Puskas não teve a atenção merecida aqui no Corneta Esportiva. Estou ensaiando para escrever esse texto há muito tempo.

Não precisamos ter vivido no tempo de Cleópatra e Julio César para sabermos da importância de ambos; são mitos. Na história do futebol, não é diferente. Pouquíssimas (hoje em dia, quase nenhuma) pessoas viram Friedenreich ou Leônidas jogarem. Não existem muitas imagens dos dois, mas sabemos da importância de ambos. São mitos.

Puskas é mais um desses jogadores míticos. Os poucos que o viram em ação trataram de perpetuar sua fama e seus feitos. Não por acaso o húngaro era chamado de Major Galopante. Aos 18 anos, Puskas ainda servia o exército quando foi jogar no Honved, equipe de Bucareste que pertencia às forças armadas. Baixinho, troncudo e dotado de uma perna esquerda extraordinária, Puskas destacou-se. No mesmo ano, estreou na seleção húngara marcando um gol. Pelo Honved, Puskas jogou de 1943 a 1957. Foi campeão húngaro em 1950, 51, 52, 54, 55 e 56. Em jogos oficiais pelo campeonato húngaro, Puskas tem 358 gols em 349 partidas. É isso mesmo, não me confundi, são mais gols que jogos. Apesar disso, foi artilheiro do campeonato em apenas 3 ocasiões, 1949, 50 e 53.

Puskas, durante a Copa de 1954.

Com a seleção húngara, foi medalha de ouro nas Olimpíadas de 1952 e vice-campeão mundial em 1954, quando foi o destaque da Copa. Seus números pela seleção húngara também assuntam, são 84 jogos e 83 gols. Em 1956, Puskas, junto com outros jogadores, se revoltou contra o governo húngaro, por causa do domínio soviético, e se recusou a voltar para o seu país. Foi suspenso por dois anos pela Fifa, só podendo atuar em amistosos. Foi durante esse período, em 1957, que o Honved excursionou pelo Brasil e derrotou times como Flamengo e Botafogo (com Garrincha, Nilton Santos, Didi e cia.).

Em 1959, quando a punição já havia acabado, foi jogar no Real Madrid. Aos 31 anos, ele já era um craque incontestável. Inteligente e articulado, rapidamente transformou-se em capitão e líder da equipe. Jogando ao lado de Di Stefano, formaram uma das maiores equipes de todos os tempos. Puskas é hoje considerado como o melhor jogador da história do Real Madrid. Também, não é por menos. Foi campeão da Copa dos Campeões, em 1959, 1960 e 1966. Campeão do Mundial Interclubes em 1960. Campeão da Copa da Espanha em 1962. E pentacampeão espanhol em 1961, 62, 63, 64 e 65. E mesmo com a idade avançada para os padrões da época, Puskas foi artilheiro do espanhol durante quatro temporadas, 1960, 61, 63 e 64. Pelo campeonato espanhol, seus números são também respeitáveis:154 gols em 180 jogos.

Ferenc Puskas era um desses meias canhotos mágicos. Pertencente à mesma estirpe de Rivellino, Maradona, Jair da Rosa Pinto, Zizinho e outros. São jogadores fantásticos, completos. Sabiam armar, lançar e finalizar com a mesma competência devastadora. Hoje, esses autênticos camisas 10, estão cada vez mais raros no nosso futebol. Infelizmente. Vão-se os homens e ficam os mitos.

2 Comentários:

Acho que não hj em dia não se dá a devida atenção ao mito Puskas pq o futebol do Leste Europeu misteriosamente perdeu força.

Digo “misteriosamente” pq quando o futebol ainda engatinhava (início do século passado) o futebol do Leste Europeu dominava o planeta. Mas hj não sei pq cargas d’água Hungria, Romênia, Bulgária e CIA não conseguem ter as mesmas seleções de 90, 100 anos atrás.

By Anonymous Anselmo Trompete, at quinta-feira, 11 janeiro, 2007  

O problema é a UEFA que é dominada por 16 equipes e mata as outras equipes e, consequentemente, as outras seleções.

Eles criaram um oligopólio do futebol que a FIFA faz questão de não ver. Cada vez que um time desses perde é uma vitória pro resto.

By Anonymous MAURICIO TUBA, at quinta-feira, 11 janeiro, 2007  

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