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quinta-feira, maio 15, 2008

Receita para ganhar a Libertadores 

Diego Corneta

Ah, é simples, basta ter um grande time e pronto. O Santos de Pelé, o Flamengo do Zico, o São Paulo do Raí, etc. Ter um bom time (de preferência com um cara que realmente desequilibre) é ótimo. Mas não é tudo. Times medíocres, porém bem organizados, raçudos e, por que não dizer, sortudos, já conquistaram a América sem grandes jogadores e sem o tal cara que desequilibra. Foi assim com Once Caldas, Olímpia (só para citar o passado recente) e muitos outros.

Na minha modesta e sincera opinião, Boca e São Paulo são os favoritos. Eu sei que ontem o Boca, jogando em casa, deixou o Atlas (México) empatar no final do jogo. Mas ainda acho que os argentinos vão passar, mesmo precisando vencer no México. O time do Boca tem uma estrutura interessante, defesa e laterais razoáveis, volantes competentes e, do meio para frente, três excelentes jogadores Palermo, Palácio e, sobretudo, Riquelme.

Já o São Paulo aparenta ser um time limitado e sem muitas opções. De fato é isso mesmo. No entanto, a equipe sabe usar muito bem as poucas armas que tem. Eles têm uma defesa sólida, laterais combativos (mais defensores que apoiadores), o melhor volante em atividade no continente (Hernanes), um cara para bater faltas e jogar bolas na área (Jorge Vagner) e um excelente centroavante. A forma de jogar do SPFC é manjada, se defende com firmeza atrás e cruza insistentemente muitas bolas na área. Sua vantagem é que, além de Adriano, Alex Silva, Miranda e Borges também sabem cabecear muito bem. Outra vantagem: a julgar pelo jogo de ontem, tudo indica que Dagoberto não está nada satisfeito com a reserva. Ele foi muito bem, sabe jogar com a bola no chão, abre espaços, tabela e inferniza as defesas adversárias. Se continuar jogando assim, quem ganha é o São Paulo.

Mas onde eu queria chegar é aqui. Apesar de Boca e São Paulo serem favoritos, isso não indica que eles serão finalistas e, um deles, campeão. Para ganhar a Libertadores, é preciso o tal “algo a mais”. Dentro desse conceito extremamente vago, encaixam-se muitos fatores: sorte, disposição, raça, espírito de grupo e, é claro, um mínimo de competência. O América do México fez um placar histórico ao bater o Flamengo por 3X0 em pleno Maracanã. Era uma batalha já dada como perdida, mas os mexicanos tiveram todos os fatores acima citados. Marcaram bem, atacaram três vezes e fizeram três gols. Mínimo de competência. Num deles, a bola desviou e matou o goleiro Bruno. Sorte. E contaram também com a apatia do Flamengo. Falta de disposição. Todo mundo sabe que o Santos está longe de ser um grande time, mas sufocando seus oponentes na Vila e, fora de casa, marcando muito, dá para levar. O mesmo vale para o San Lorenzo, que cresceu na competição após despachar o tradicional River Plate. Resumindo, a Libertadores está imprevisível e muito legal.

Acompanho (creio que muitos dos poucos leitores também) aos jogos da Copa dos Campeões. Muitos, apesar das constelações em campo, são um marasmo absoluto. Jogos da Libertadores podem não ser tecnicamente agradáveis, mas são muito mais interessantes. Não sei explicar o motivo. Talvez nem haja um.

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