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terça-feira, agosto 22, 2006

CIFRA$ do nosso ludopédio 

Diego Corneta

O campeonato brasileiro é pobre e isso não é novidade para ninguém. Vejamos alguns números, o campeonato alemão – talvez o campeonato mais chato de toda a europa ocidental – é disputado por 18 equipes que, segundo o contrato, irão dividir 1,2 bilhão de euros em três anos. Vou escrever de novo para não haver dúvidas, são 400 milhões de euros por ano!

Aqui, como bem sabemos, é diferente. Vamos aos fatos. Os direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro pertencem à Rede Globo, que em comum acordo com o Clube dos 13 (entidade que representa os times da Primeira Divisão) determina quais jogos serão transmitidos por TV aberta (Globo), TV por assinatura (Sportv) e em pay-per-view (pelos canais Premiere, da NET e da SKY). Sem meias palavras, monopólio total e exclusivo.

A Globo, através de todos os seus cainais (Globo aberta, Sportv e Premiere), além de vender as milionárias cotas publicitárias para propagandas antes, durante e depois jogos; ainda ganha revendendo os jogos pelo cabo (Sportv) e por pay-per-view. Não contente, revende os direitos de transmissão também para a Record. Só que pelo contrato assinado, a Record é obrigada a transmitir para uma determinada praça exatamente o mesmo jogo que a Globo está transmitindo.

Assim, numa tarde de domingo é certo que o jogo que estiver sendo transmitido pela Globo em TV aberta também estará na tela da Record, independente do fato de que outros jogos interessantes estejam acontecendo ao mesmo tempo. O ponto mais lucrativo do negócio todo está na venda das cotas publicitárias. É tão lucrativo, que mesmo a Record sai ganhando. Os bispos obtêm lucro mesmo comprando os jogos de atravessadores (no caso, a Globo) e revendendo as cotas por preços bem mais baixos, já que a aundiência da Record é menor. Imagine agora o tamanho dos lucros do monopólio Plin-plin... Revelo logo mais.

Números de 2004
Os números de 2005 ainda não foram divulgados, então temos que nos contentar com os números de 2004. O Campeonato Brasileiro da série A rendeu aos clubes que disputaram a competição o valor de US$ 88 milhões em 2003. Em 2004 esse número pulou para pouco mais de US$ 92 milhões. Seguindo a lógica, vamos chutar que em 2005 o valor foi de US$ 100 milhões e, em 2006, chutamos alto para U$ 110 milhões. Lembram-se quanto foi o contrato lá na Alemanha? Voltem lá para ver.

Concordo que a economia brasileira é menor e mais fraca que a economia alemã. Concordo também que o poder de consumo dos brasileiros é bem menor que o poder de consumo dos alemães. Porém, não estou discutindo o tamanho das economias e sim a justiça na equação entre o lucro de uma rede de TV e o lucro dos clubes.

Mais números de 2004
Em 2004, os 24 clubes que jogaram a série A ganharam R$ 430 milhões (ou US$ 195,4 milhões) entre contratos de transmissão dos jogos pela TV mais publicidade em torno dos gramados, bilheteria e patrocínio no uniforme. O clube inglês Manchester United faturou, sozinho, o equivalente a R$ 891 milhões (US$ 405 milhões) em 2004, mais que o dobro do que conseguiram os 24 clubes da elite do futebol brasileiro. O resultado óbvio mostra que a principal competição do país do futebol ainda está anos-luz de distância das cifras movimentadas na Europa. Por que será?

Lucro da Globo
A Rede Globo fechou todos os contratos de patrocínio em 2005 com Alpargatas, AmBev, Itaú, Coca-Cola e Vivo. A emissora informou que comercializa o Campeonato Brasileiro como parte de um pacote que cobre os principais torneios e campeonatos de futebol do Brasil, incluindo os jogos da Seleção Brasileira, durante um ano inteiro. São oferecidas cinco cotas exclusivas de patrocínio com 1.821 inserções, no valor de R$ 76,5 milhões cada cota. O total é R$ 382,5 milhões. Atentem que esse número refere-se apenas à Rede Globo, não contablizados os valores das cotas da Sportv e Premiere.

Conta rápida: em 2005, sendo o valor das transmissões (chute alto) em torno de U$ 100 milhões (R$ 220 milhões), o lucro líquido da emissora (apenas da TV Globo aberta) com a venda das cotas é cerca de R$ 162,5 milhões, ou em torno de 73% do investimento inicial! Essa margem de lucro – repito, apenas da Globo e não juntamente com a Sportv e Premiere – é absurda e inexistente em outros setores do mercado.

Faturamento total da Globo no primeiro semestre de 2006
A Rede Globo de Televisão, incluindo as suas cinco emissoras próprias (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Recife) e 121 afiliadas, registrou faturamento de R$ 4,287 bilhões, 20,4% maior do que no primeiro semestre de 2005, quando o caixa da emissora anotou R$ 3,439 bilhões.

O temor da Globo em relação ao segundo semestre está associado às eleições majoritárias de outubro. A subtração das verbas governamentais no período eleitoral e o pé no freio de alguns segmentos anunciantes, que preferem aguardar a definição do cenário político, podem interferir no balanço do segundo semestre. A estimativa é de que o mercado cresça como um todo 13% em 2006. No entanto, a Globo pode chegar a 17%, crescimento acima da média no mercado.

Resumo do ópera
O monopólio da TV Globo é ruim para os clubes, ruim para os telespectadores e ruim para os anunciantes. O monopólio interessa a uma única pessoa, no caso, jurídica. A quem interessa isso? Preciso responder?

Exemplo de como nosso futebol é pobre
Nos 4 a 0 sobre o Atlético Paranaense que lhe deram o tricampeonato da Libertadores no ano passado, o São Paulo faturou R$ 3.026.395,00 nas bilheterias do Morumbi. Outro dia, no primeiro jogo contra o Internacional, faturou pouco mais de R$ 3,2 milhões. Ou seja: em dois jogos, o São Paulo arrecada mais do que o Flamengo receberá ao liberar Jônatas para o Espanyol. Guardadas as devidas proporções (econômicas, principalmente), o Espanyol é tão importante e vitorioso quanto à nossa Ponte Preta...

2 Comentários:

Se eu tivesse uma cartolina, escreveria: "EU JÁ SABIA".

O Campeonato Brasileiro era pra ser a NBA do Futebol, mas ninguém quer isso.

Nem a Globo.
Nem a CBF.
Nem a FIFA.
Muito menos a UEFA.

E se todos os jogadores brasileiros do exterior jogassem no Brasil? O que seria do Real Madrid, Barcelona, Milan e todos os outros grandes times da Europa?

No mínimo, eles teriam concorrentes à altura.

Por isso que o TRIcolor é foda.

Vai pra Tóquio com um time meia-boca e mete no cu desses filosdaputa.

DÁ-LHE TRICOLOR.

By Anonymous MAURICIO TUBA, at terça-feira, 22 agosto, 2006  

Concordo com o Tuba. Menos nos 3 últimos parágrafos.

No antepenúltimo apenas trocaria o "foda" por "o time mais largo do mundo".

By Anonymous Anselmo Trompete, at quarta-feira, 23 agosto, 2006  

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2 Cornetadas

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