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sexta-feira, julho 30, 2004

Entrevista com Zico 

Por Matheus Orlando

Não sei se todos sabem, mas tenho uma revista de futebol chamada É gol!, e na última edição publicada entrevistei o Zico, ex-jogador de futebol que atualmente é técnico da Seleção Japonesa de Futebol. Confiram a entrevista:

1. Primeiramente gostaria de saber sobre sua vida pessoal: onde e quando nasceu, onde mora, se é casado e tem filhos. Nasci na casa de minha família, em Quintino, um subúrbio do Rio, Rua Lucinda Barbosa 7, no dia 3 de março de 1953. Hoje moro em Tóquio, no Japão, mas também tenho uma casa na Barra da Tijuca. Sou casado, sim, com Sandra e tenho três filhos: Júnior, Bruno e Tiago.

2. De onde vêm seus apelidos, Zico e Galinho de Quintino? Bom, Zico foi dado por uma prima minha, Ermelinda. Meu nome é Arthur e ela me chamava de Arthurzinho, depois de Arthurzico e daí reduziu até Zico. Já Galinho de Quintino quem deu foi um radialista, já falecido, chamado Waldyr Amaral, que era da Radio Globo. Era porque eu fui lançado de centroavante, fora da minha verdadeira posição e lutava muito em campo e lógico porque morava em Quintino.

3. Quando decidiu ser jogador de futebol, recebeu apoio e incentivo de alguém? De quem? Meu pai tinha um pouco de receio no começo, já que meus irmãos eram jogadores e passaram por momentos difíceis. Mas minha mãe sempre ajudou. E meus irmãos, Edu e Antunes também davam muita força também.

4. Qual foi o clube em que você mais gostou de atuar? Por quê? Desde pequeno sempre fui Flamengo de coração, de ir aos estádios com o meu pai. Por isso e por tudo que vivi, ter atuado no Flamengo é especial. Mas tenho carinho também pela Udinese, onde adquiri muita experiência como jogador e homem e pelo Kashima, que tenho uma relação pai e filho, já que quando cheguei ele não existia. Era Sumitomo Metals FC.

5. Depois de sua experiência na Udinense, da Itália, o que você concluiu sobre as diferenças do futebol europeu e o futebol brasileiro? São muitas as diferenças. Acho que o mais importante a ser destacado é que são escolas diferentes de futebol. Na Europa a parte física e tática são sempre muito fortes. O futebol brasileiro e sul-americano, em geral, é mais criativo, de improviso.

6. Como você se sente vendo o Japão, país que há alguns anos atrás você ensinou a gostar de futebol disputando e até servindo como sede de uma Copa do mundo? Sinto muito orgulho por ter ajudado o país a se desenvolver no futebol. Mas ainda há muito para caminhar e espero poder colaborar ainda mais, afinal este povo me recebeu com muito carinho em 1991 quando eu vim para o Japão como jogador. Hoje sou cidadão honorário de Kashima, colocaram lá duas estátuas minhas, uma em frente ao Estádio de Kashima e perpetuaram meu nome no País, e por tudo isso aceitei ser técnico da Seleção.

7. Quais são seus principais objetivos como técnico da Seleção Japonesa de futebol? Nunca pensei em ser treinador. Minha primeira experiência foi aqui no Japão, dirigindo a equipe do Kashima meio por acaso. E não imaginava voltar a dirigir um time de futebol. Acontece que, depois da última Copa do Mundo recebi o convite da Federação Japonesa e não pude recusar, afinal, como disse antes, o país sempre me acolheu com muito carinho. Queria retribuir tudo que fizeram por mim passando a minha experiência para a Seleção e tenho como objetivo principal levar o Japão à Copa do Mundo na Alemanha em 2006.

8. Você guarda alguma frustração por ter ou não acontecido alguma coisa em sua carreira, como técnico ou jogador? Frustração é uma palavra forte, acho que acumulei muitas alegrias em minha carreira para dizer que me frustrei com alguma coisa. Mas confesso que lamento não ter disputado as Olimpíadas, uma competição especial e que não tive a chance de jogar.

9. Você ainda pretende exercer alguma profissão ligada ao futebol aqui no Brasil? Neste momento não há como pensar nisso. Tenho muito trabalho para fazer por aqui e não descarto nenhuma possibilidade no futuro.

10. Quanto ao seu clube de futebol, o CFZ (Centro de Futebol Zico), o que você pretende fazer? Primeiro queria te dizer que o nome do time não e Centro de Futebol Zico. O nome correto é CFZ Do Rio Sociedade Esportiva. Seguimos trabalhando. Eu estou aqui no Japão, mas o pessoal está trabalhando no Rio e em Brasília. Temos times em todas as categorias no Rio e, em Brasília, onde buscamos as vagas na Copa do Brasil e na Série C.

11. Você já escreveu um livro sobre sua história. Pretende atualizar este livro, colocando dados mais recentes que aconteceram em sua vida? Lancei no ano passado uma biografia de 50 anos escrita com Roger Garcia e Roberto Assaf que atualiza minha história até 2003. Daí pra frente a turma pode acompanhar diariamente no meu site http://www.ziconarede.com.br/. Estou sempre escrevendo lá, tenho colunas e até um blog, e uma equipe trabalhando na atualização.

12. Muitos cronistas e jornalistas esportivos fazem comparações suas com Pelé. O que você pensa disso? Você tem algo a dizer sobre o Zico jogador e Pelé jogador? E sobre Zico homem e Pelé homem? Bom, Zico jogador e Zico pessoa são a mesma coisa: eu. Sou o mesmo de sempre. Não gosto de comparações, pois não há como comparar os jogadores, as pessoas. Eu e Pelé somos muito diferentes. Mas o que tenho a dizer é que Pelé é o Rei do futebol, isso não há dúvida.

13. Você concorda com a divisão feita no Flamengo de a.Z. (antes de Zico) e d.Z. (depois de Zico)? Por quê? Não concordo. O Clube é sempre maior que qualquer atleta. Sei que ajudei o Flamengo a conquistar muitos títulos. Mas acho importante deixar claro que não jogava sozinho. Tinha companheiros talentosos ao meu lado e que formavam um grupo vencedor.

14. Em toda a sua carreira, já foi criticado algumas vezes, coisa que acontece com todos os jogadores e pessoas envolvidas com o futebol. Você já está acostumado com as críticas ou não? Críticas fazem parte de quem está na vida publica e a gente deve saber ouvi-las. Como jogador eu podia ir para o campo e tentar mudar a situação. Agora como treinador é diferente. Mas acho que minha experiência me ajuda a saber separar qualquer situação que esteja na minha frente.

15. Quando foi obrigado a parar de jogar futebol por causa das contusões, o que você sentiu? Eu não parei de jogar por causa das contusões e sim porque comecei a perder a alegria do ambiente do dia a dia do futebol.O meu maior medo era ter que abandonar os gramados por causa de uma contusão. Pedia a Deus todas as noites para poder sair do futebol por decisão minha, em plena atividade. Por isso que até hoje, quando dá um probleminha eu vou lá no Dr Neylor Lasmar pra consertar o joelho. Quero continuar jogando as minhas peladas. O futebol é a paixão da minha vida, além de ter sido a minha paixão profissional.

16. Quando você, eventualmente, sair do cargo de técnico do Japão, o que pretende fazer? Não pensei nisso ainda. O objetivo no momento é classificar o Japão para a Copa. Eu sou dono de um clube no Brasil, preciso cuidar dele.

17. Quais são suas opiniões sobre o futuro próximo da Seleção Japonesa e a Seleção Brasileira de Futebol? Quais são as suas perspectivas em relação a essas duas seleções para a Copa do mundo de 2006? O Japão precisa romper a barreira da Ásia, conquistar um título fora do continente. Vários atletas estão atuando na Europa e o futebol japonês segue em evolução constante. Temos alguns excelentes jogadores e a grande luta é na parte emocional. Mas é impossível dizer agora até onde o Japão pode ir e quando isso vai acontecer. Já o Brasil está bem servido, tem talentos surgindo a todo momento, e é favorito em qualquer competição que dispute.

18. Com a crise que envolve todos os clubes brasileiros, inclusive o Flamengo; o que você sente em ver essa situação? Não há uma saída única e milagrosa. O Flamengo precisa construir um Centro de Treinamento, precisa investir forte nas divisões de base e sanear o clube financeiramente. Mas acho que o Flamengo está no caminho certo. Mas há de se ter paciência.

19. Quando você se aposentar de tudo, de uma vez por todas; pretende fazer como muitos ex- jogadores, lançar franquias de escolinhas de futebol, ter instituições de caridade ou qualquer outra coisa? Não pretendo parar de trabalhar tão cedo! E já tenho um clube para administrar. Um Centro de Futebol, com algumas franquias e um trabalho social no RJ.

20. Finalizando, qual é o seu recado para quem quer ser jogador ou técnico de futebol? O que é preciso para que este sonho se realize? O importante é saber que as dificuldades vão aparecer e que será necessário supera-las. Quem quer jogar futebol tem que ter em mente que o campo é a sua vida e que o treino é fundamental, além da disciplina e vontade de vencer. É isso aí!

2 Comentários:

Eu, joaquim Caldas, pretendo ser treinador de grupos de base. tenho sorte,talente e dedicação.Jáfui Presidente do Ibis 2001/2002. Zico tem razão: Nada se concretiza sem dedicação e interesse de vencer. O trabalho dignifica o Homem. Parabens pelos ditames disciplinadores!!! Zico...

By Blogger joaquim9455, at domingo, 18 maio, 2008  

ai tudo blz sou sp e torç por ronald mas eu acho q ele tem q rapar há cabeça nas me avisa q goleiro tem q jog em baixo da trave porq o rogério ceni sé jog adiantado e perder para o mogi vai ganhar de quem com todo o respeit mas tem q volta o paulo altuori abraços rogerio de santa fé do sul interior

By Anonymous rogerio, at domingo, 08 março, 2009  

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